Luís Mário Carneiro: «A realidade crua é fechar as portas»

Presidente do D. Chaves refere que receitas do clube estão todas congeladas.
R - A final da Taça permite proveitos aos clubes e o Chaves, não é segredo para ninguém, vive com grandes dificuldades diárias para sobreviver. Até que ponto este jogo pode amenizar os problemas financeiros?
LMC -
Na Taça de Portugal, ao contrário do que se comenta, o prémio é só a Taça. Ultimamente tem também um valor de presença que é de 300 mil euros para o vencedor e 150 mil euros para o vencido mais uma percentagem da receita a dividir pelos clubes e Federação. Para o Chaves, infelizmente pela situação que atravessamos, não podemos fazer contas a essas receitas porque elas encontram-se penhoradas. Isso tem trazido muitos problemas, mas espero que a boa vontade das pessoas, nomeadamente do ex-presidente Castanheira Gonçalves, com quem estamos em litígio devido a uma dívida de um milhão de euros, resolva o problema. Até porque a receita da Taça nunca chegará a esse s valores e a penhora vai inviabilizar a gestão corrente do clube. Não podemos esquecer que é preciso pagar impostos, segurança social, salários e tudo aquilo que tem a haver com a gestão normal de um clube das competições profissionais. A todo este cenário acresce ainda um problema antigo relativo à transferência do Geromel, pois  assumimos um acordo de pagamento em prestações à segurança social que neste momento não podemos cumprir. A breve prazo isto poderá trazer problemas ao Chaves de poder continuar a participar nas competições profissionais.
R - É uma euforia pelo momento histórico, mas também de grande aflição porque o clube continua afogado em dívidas.
LMC -
Ao contrário do que seria esperado, não senti grande euforia porque logo a seguir ao jogo da Naval fui confrontado com a realidade. Disse logo aí, de uma forma extrema, o que poderia acontecer e a verdade é que há uma forte possibilidade do clube fechar as portas. Isto porque temos os seguros e os impostos para pagar e isso é difícil sem dinheiro.
R - Há mesmo o risco de fechar as portas ou isso foi também uma forma de alertar os flavienses para o grave problema que o clube atravessa?
LMC -
A realidade crua é que corremos mesmo a possibilidade de ter de encerrar. Se não houver um entendimento com Castanheira Gonçalves, que também é presidente honorário do Chaves, nós não podemos cumprir com os pressupostos para participar nas competições profissionais.
R - Acha que vai conseguir esse acordo?
LMC -
Julgamos que sim porque se pensarmos na história desta casa é difícil de ver as portas encerradas. O Chaves é mais que um clube de Chaves. É um clube de uma região e há muitos transmontanos espalhados pelo mundo que querem ver o clube na final da Taça. Há colónias de transmontanos emigrantes que sempre nos apoiaram. Um apoio que entretanto desapareceu porque as pessoas ficaram saturadas com os constantes problemas, cancelaram a transferência de verbas e foram-se afastando. No entanto, sabemos que no fundo, no fundo o amor ao Chaves mantém-se e esperemos que isto possa servir como um tónico para que as pessoas voltem a apoiar o clube. 
R - O cenário sensacionalista do Chaves poder não marcar presença no Jamor está fora de hipótese?
LMC -
Isso julgo que sim. A esperança é a última a morrer, mas é bom que as pessoas se consciencializem que a situação é muito grave porque podemos correr o risco de não cumprir os pressupostos necessários. Lembro que, por exemplo, em relação aos seguros, o incumprimento é impeditivo de participar nas provas e nós já fomos notificados para proceder aos pagamentos das prestações acordadas. Se não o conseguirmos fazer no prazo que nos foi dado podemos correr risco.
R - Já conversou com Castanheira Gonçalves sobre a questão da penhora, até porque já surgiram declarações no sentido de que o ex-presidente está disposto a negociar?
LMC -
Depois do jogo na Figueira da Foz ainda não tive oportunidade de o fazer, mas espero fazê-lo em breve. Tenho alguma esperança de que o tempo que Castanheira Gonçalves passou como responsável do clube e pelo amor que tem ao Chaves ajude a resolver a esta situação.
"A minha penhora está suspensa".
R - Num contexto semelhante à penhora em curso, há também uma questão insólita ainda por resolver. O cidadão Luís Mário Carneiro é credor do Chaves e tem uma acção em tribunal contra o clube. Na mesma medida, Luís Mário Carneiro é o presidente do clube e tem de se sentar no banco dos réus para responder pelo Chaves. É uma situação idêntica ao que sucede com Castanheira Gonçalves?
LMC -
Não, é muito diferente. A situação nasce quando eu como presidente e três vice-presidentes fomos avalistas de um empréstimo ao Chaves para pagamento de salários, impostos e a regularização fiscal da época. Isso está devidamente documentado nas contas que já foram auditadas e certificadas. Foi feito um plano de amortização que não foi cumprido. Em 2009, durante uma assembleia geral, como associado questionei a direção do momento porque tinham recebido um plano de liquidação que não foi cumprido. Disseram-me que só em tribunal é que essa situação poderia ser resolvida. Foi por isso mesmo que eu, enquanto associado, coloquei a acção em tribunal para reclamar aquilo que estava devidamente contabilizado no relatório e contas de 2000, já que esta situação reporta-se a 1998. A partir do momento em que assumi a presidência mandei suspender essa acção. Isto porque essa acção é executiva, pelo que também podia penhorar todos os créditos do clube. Não o fiz porque só pretendia o reconhecimento daquilo que está nas contas. 
R - Nesta altura qual é o panorama financeiro do Chaves?
LMC -
Um bocadinho ao contrário da imagem que se tem transmitido, porque no imediato estamos numa situação delicada de tesouraria, o clube apenas tem um mês de salários em atraso. Digo apenas lamentando tudo isso porque sei que quem trabalha tem direito ao seu salário, mas também  naquilo que é norma dos clubes. Ao contrário do que está no contrato , o pagamento não é até ao dia 5.Normalmente, até porque é um assunto que tem a haver com transferências e movimentos de verbas, é sempre até ao dia 20, quase um pouco como na função pública. Neste momento temos toda a situação regularizada. Estamos a entrar numa fase de incumprimento porque não podemos fazer o pagamento da prestação acordada com as finanças e a segurança social. Portanto, olhando para o panorama nacional, o Chaves estava a cumprir com aquilo que tinha sido estabelecido no orçamento, pelo que não julgamos a situação como preocupante. O que é preocupante é o facto de neste momento não termos receitas nem podermos movimentar verbas  para fazer os pagamentos nos prazos devidos.
R - É uma situação que só será possível de ultrapassar com um acordo com Castanheira Gonçalves?
LMC -
Sim, a resolução desse problema ajudará a resolver todos os problemas do Chaves, até porque a receita extraordinária da Taça seria suficiente para regularizar todas as dívidas do momento.

ENTREVISTA RECORD/ANTENA 1

8 comentários:

De uma maneira ou de outra...vão descer disse...

Ou seja se não descerem no campo,vão descer na secretaria....porque quem não tem dinheiro não tem vicios....
Uns sobem na secretaria...outros podem descer na mesma secretaria....
O destinho prega-nos cada partida...

Saudações

RJ disse...

Estamos a assistir a mesma história da época passada quando o Nacional veio a Trofa. O treinador Manuel Machado a insinuar que por o árbitro ser próximo da Trofa iríamos ser favorecidos.
Agora vem este Sr. Mário Carneiro dizer que tem motivos para desconfiar de factores externos. "Recebi notícias de manobras nos bastidores que podem defraudar a verdade desportiva". (O Jogo)

Tenham vergonha, justifiquem dentro de campo que são melhores.

Anónimo disse...

Ou seja, o Chaves ainda pode descer de divisão e/ou fechar portas por dívidas, e tudo por causa do exmo sr. Castanheira Gonçalves, que, por sinal, é também presidente honorário do Chaves.
Inacreditável... Com presidentes honorários destes, que em vez de apoiarem dignamente o clube, penhoram em tribunal os orçamentos dos clubes, não é preciso ter inimigos nem ladrões, quando estes estão, na realidade, bem perto de nós.
Se ele amasse realmente o clube, com o título honorário que detem, deveria retirar a penhora, pois, como diz, e bem, o presidente do clube, "com a penhora, nem o clube nem ele podem mexer no dinheiro".
E esta notícia ainda vem reforçar mais a ideia que tinha de alguns dirigentes: quando saem da gestão dos clubes, exigem continuar a usufruir do "tacho" proveniente dos mesmos. Impressionante.

Anónimo disse...

"com a penhora, nem o clube nem ele podem mexer no dinheiro".
Pois, sr. Castanheira Gonçalves, o sr., com a penhora sobre os bens do clube que interpôs em tribunal, impede o clube de pagar as suas dívidas correntes, mas também não pode "meter a mão" no tão desejado milhão, como desejava...
Oh, que pena... Decerto, não estará a passar tantas dificuldades como o clube, para pedir, quase mendigar, o milhão de euros que diz ser de seu pertence.
Espero, sinceramente, que as autoridades competentes ponham mão a esta situação, de modo a salvar um clube histórico nacional do abismo, de modo a que não se repitam episódios anteriores,com o desaparecimento de outros clubes, e que também participaram na final da taça (ex. Est. Amadora, Farense, Campomaiorense).

carlos silva disse...

Sou um flaviense residente em Coimbra.Gostaria de dar uma sugestão ao Presidente do Desportivo de Chaves: Crie uma conta de solidariedade do Desp. de Chaves. Publique essa conta nos jornais regionais-Muitos emigrantes têm acesso a eles! Na net... Tal como eu- que poucas vezes me desloco a Chaves- concerteza que contribuiriamos com qualquer coisa. Quem AMA NUNCA ESQUECE| - Não se esqueça que grão a grão enche a galinha o papo.

Anónimo disse...

a mim não me interessa se o chaves desce ou não (claro que prefiro que não desça) mas se for preciso descer de divisão para assentar as finanças, tudo bem, ainda por cima já ganhamos a temporada com a final da taça de portugal!

CHAVES SEMPRE!

Diogo Moreirinha disse...

Não concordo para mim a época só esta ganha quando o chaves garantir a permanência na Vitalis. A taça não vai fazer o chaves permanecer, claro que é importante e histórico o chaves estar na final do Jamor, mas sinceramente trocava a final da taça pela manutenção.

Anónimo disse...

eu gostava era de saber como o q exmo sr casnatnheira obteve o milhao de € para emprestar ao chaves...